sábado, 11 de julho de 2009

O medo do medo.

Ontem adormeci pequenina e hoje acordei encolhida em mim mesma.
Tolhida pelo medo. Como um pássaro assustado que nunca voou ou que tem de voltar a voar depois de uma queda na qual partiu uma asa.
Hoje acordei pequenina mas grande demais. Cheia de incertezas corroedoras da alma e medo... aquele medo... O que chega quando já toda a gente se foi embora. Aquele que se senta no nosso colo, quando a casa está vazia e a única coisa que a enche é o silêncio, tantas vezes desconfortável, de quatro paredes.
Nao tenho medo por hoje... mas temo pelo que virá, um dia. Tremo por dentro. Tenho receio que este silêncio não passe e, em vez de uma visita indesejada, se torne num inquilino a tempo inteiro. Receio que as pessoas se tornem apenas sombras que não mais reconhecerei e eu passe a ser a sombra de mim mesma.
Tentarei não pensar mais nisso. Não penso mais nisso. Por ora.
O medo fica instalado aqui, bem escondido. O medo do medo. O medo de envelhecer. Sozinha. Em silêncio.

3 comentários:

Observador disse...

O texto lido, apresenta-se-me como o desabafo de quem se sente numa instabilidade inquietante, de quem não tem certezas.
Isto, partindo do princípio que o mesmo (texto) constitui uma coisa sentida, real.

Caso estejamos na presença de um gesto fictício, apenas tenho que te dar os parabéns pelo conteúdo.

André Benjamim disse...

obrigado pelo comentário; não tens que pedir desculpa por coisa nenhuma... e eu adoro devaneios! beijinho

Tudo de mim. Ou quase. disse...

Eu aprecio... a (in)quietude.
Nem tudo o que escrevo é sentido. Ou, muitas vezes o é, sem que disso me aperceba. Desta vez não revelo. Como diria o Pessoa: "Que sinta quem lê.", porque aquilo que sinto ao escrever pouco importa. Digo eu.