segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010

Aquilo que tu não sabes.




E, de cada vez que chegas assim, toda a minha vida fica suspensa num fio invisível de ternura. A respiração sustém-se no breve instante em que o ar me causa tempestades no peito e tudo parece, enfim, ganhar algum sentido.
Como posso estar tão cheia de ti se quando não estás me ausento de mim mesma? Agora me apercebo. De cada vez que partes esqueço-me de mim

em ti.

Mania de desafios.

Recebi ontem do meu mais-que-tudo um desafio. Bem, não sei se as minhas manias me diferenciam do comum dos mortais. São apenas características minhas pouco relevantes e que devem ser comuns a muita gente, mas como nunca me nego a um desafio...



As regras são as seguintes:


"Cada bloguista participante tem de enunciar 5 manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher 5 outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do recrutamento. Cada participante deve reproduzir este regulamento no seu blogue."


Então aqui vai:

Mania número 1:
Uso três despertadores para conseguir levantar o rabo da cama (sim, leram bem... TRÊS!). No total despertam cerca de 7 vezes.

Mania número 2:
Cheirar a roupa no fim de lavadinha... Pois, gosto do cheiro do amaciador, que hei-de fazer?

Mania número 3:
Atirar com as chaves de casa e do carro e os telemóveis para um sítio qualquer. Depois perco bastante tempo a tentar encontrá-los. Só para terem uma ideia, as chaves do carro andam "desaparecidas" desde quarta-feira da semana passada. Se alguém as encontrar é favor devolvê-las à dona.

Mania número 4:
Hum... Ah! Já sei! Tenho a mania de adormecer com televisão ligada.

Mania número 5:
Refilar, refilar, refilar... Até posso ceder, mas primeiro tenho que refilar um bocadinho...


Agora desafio... tcharam!!!!!!!!!

Contextos e Entrelinhas
:: Keep On Walking ::
Diabo de Roupa Curta
*Gira [Com O] Sol
Palpit' Aqui

E tratem de responder a tudo que depois eu vou ver se fizeram os trabalhinhos de casa!

domingo, 27 de Dezembro de 2009

A propósito do medo.





O medo é cobarde. Chega quando todos saem, aninha-se no peito e bebe-nos o sangue qual sanguessuga.



O medo tem medo das gentes. E, por isso, espera horas tardias de solidão para nos entrar pelas janelas abertas da alma. O medo tem medo do medo. E foge, o cobarde, quando outros chegam.

domingo, 13 de Dezembro de 2009

O tempo não tem tempo.




A palavra tempo sempre despertou em mim sentimentos contraditórios. Nunca o entendi muito bem: afinal quanto tempo tem o tempo, quanto tempo nos dá o tempo?


Recomecei a usar relógio de pulso apenas de há uns anos para cá... Tudo porque, de cada vez que o usava, sentia que ele teimava em apressar-me para algo que não queria que chegasse, evaporava minutos que queria viver para sempre ou, simplesmente, não avançava para algum momento que ansiava que acontecesse. Daí até se tornar um vício olhar para os três ponteiros no mostrador, foi um passo. Passava a vida, suspensa na ansiedade, de olhos postos no pulso, observando cada deslizar cadenciado até que, a muito custo, consegui manter com aquele engano engenhoso uma relação mais saudável.

Nas minhas certas incertezas sei, agora, que o tempo é eterno e se move em círculos. Traz, leva e, muitas vezes, devolve aquilo que arranca de nós à socapa, qual caçador furtivo à espera da melhor oportunidade para apanhar a presa desprevenida.

Aprendi a apreciar os instantes que antecedem algo que eu quero muito que chegue... o batimento cardíaco acelerado, a garganta seca e a cabeça produzindo mil imagens que de tão desejadas se tornam reais. Consigo, agora, aproveitar a brevidade de momentos em que um olhar indiscreto e inquieto diz tudo, sem angustiar-me com o inevitável fim. O olhar, esse, guardo-o na escassa eternidade de que me faço e, por isso, sobrevive ao avançar galopante do tempo. Diz-se do momento ser o mais breve período em que o tempo pode dividir-se. Eu digo, esse momento poderá ser o mais duradouro de todos, dentro da sua curta duração. Já não penso nas noites que comem os dias impiedosamente, porque os risos e sorrisos, os olhares cúmplices sobrepõem-se à triste ideia de finito. E isso chega para que tudo se sustenha. Embrulho cada pedacinho de cada momento em papel colorido, porque um dia estaremos demasiado velhos para dizer piadas sem sentido e viveremos de memórias. Redescobriremos, então, cada um deles no pó de tempos passados, mas que permanecem tão presentes agora como naquele lapso de tempo. Neste tempo não há tempo. Neste tempo, ausente de si mesmo, deixo apenas que os meus sentidos naufraguem em instantes que carregarei comigo, eternamente.



Acho que voltarei a esquecer-me de usar relógio...

sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Eis que volto ao silêncio. Recorrente. (Des)Conforto...




Nada te direi, pois então. Que as palavras estão gastas e pouco sentido fazem. Nada direi. Deixarei que cada palavra morra em mim e se transforme em ar comprimido de encontro ao peito. Nada direi e com isto digo tudo.


Mas sinto...

quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Quando tudo está além das palavras.




 Sinto permanentemente essa necessidade. Mas talvez seja impossível encontrar outras formas de o fazer. Queria escrever. Queria deixar escorrer pelos dedos palavras que traduzissem este muito, este tanto. Depois apercebebo-me qua as palavras são pouco perante o que me trepa no peito e se aloja algures entre o coração e a alma. Essas palavras não são nada. Estão gastas, amarelecidas pelo tanto que as repito. As palavras são as mesmas. E eu nasço outra sempre que o que sinto me sufoca os sentidos. Nasço em mim como cada onda que se insurge do âmago do oceano.



Saber que te tenho é sentir que regresso a casa.

quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Eu.


Eu tinha tudo.


Eu tinha os meus livros.

Eu tinha as minhas canetas de todas as cores.

Eu tinha os vestidos mais bonitos.

Eu tinha os meus brinquedos. Muitos. Imensos. Demasiados.

Eu tinha sempre um sorriso alegre e despreocupado.

Eu tinha tudo.

Eu era infeliz.

 
 
 
 
 
E cada sorriso meu era um grito.