
em que a noite romperá o céu com rasgos de luz,
anunciando o fim inevitável de todas as coisas.
Há-de chegar um dia...
em que o vento se arrastará indiferente ao que fica para trás
e a luz, trémula, encolhida perante o seu bafejar,
se apagará.
Há-de chegar um dia...
em que a imagem que vê no espelho se curvou aos anos
e já não se reconhece naquilo que foi noutros dias.
Há-de chegar um dia...
em que a velhice se cola na carne, entranha nos ossos e rói a alma,
deixando em seu lugar pequenas memórias desordenadas
daquilo que já não é.
Há-de chegar esse dia.
Quando não houver mais em que acreditar.
Quando não houver mais em que acreditar.
4 comentários:
É fundamental que haja sempre algo em que acreditar.
Belo texto. Mais um.
Beijo
Observador:
Obrigada.
Sim, é um fundamental. Quando chegar o dia em que se deixe de acreditar... já não vale a pena.
Beijo
Há-de chegar um dia...
em que
já não fazemos falta...
aqui,
mas em algum lado
reclamam...
a nossa presença.
E mais um ciclo se renova.
Gostei muito Tite, pensamento simples mas muito profundo.
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