domingo, 4 de outubro de 2009


No início, ele era um choro quase mudo , rompendo o silêncio. Como uma bruma anunciando a tempestade. De tão cheia, de tanta necessidade de me libertar, prendendo-me, foi trepando a alma até sair pelos olhos em forma de água salgada. Conheceu o mundo pelas janelas que lhe abri em mim. Estendeu as mãos pequenas na tentativa de o alcançar. A boca ávida. A fome. A sede. Um querer tudo. Urgente. Alimentou-se de mim. Fortaleceu-se.
Cresceu.

Adormeceu-se no meu peito nu e foi-se entranhando na carne. Desfez-se em estilhaços, espalhou-se como pólvora seca soprada pelo vento. Arrebatou a força das ondas e insurgiu-se contra os penhascos que eu sempre erguera em meu redor na tentativa de o afastar.
Ficou.
Alguma vez te contei como comecei a amar-te?

3 comentários:

Observador disse...

A excelência de um texto, mais um.

Se nunca disseste como o começaste a amar, esta será a altura certa...

Bj

Little John disse...

Tantos sentimentos a virem ao de cima...

Rabisco disse...

Olá!
Um texto tão bonito...parabéns!

Neste momento encontro-me naquela fase em que em figura "um choro quase mudo" como disseste...tomará o tempo um dia conta de mim tal como tu fizeste a alguém...

=)

Beijinhos