terça-feira, 18 de agosto de 2009

Ondas de palavras.



Eu sei que cada palavra minha é como uma onda que se forma nas entranhas do mar e se atira contra penhascos imponentes, morrendo-lhe nos braços frios. Mas a morte de cada onda faz nascer outra e mais outra e elas nunca acabam. Nenhuma vive duas vezes da mesma forma. Cada uma se resigna a um fim violento e deixa-se levar de regresso ao local de onde partira, num lamento que é quase um murmúrio. Apenas uma nova onda terá força para tentar o que outras não conseguiram. Até que, também esta, se rende, cansada, conhecendo de antemão o fim anunciado e enevitável. E tudo acalma. Aparentemente.


Calo as palavras. Faço-as apaziguarem-se, espalhadas de forma desordenada pela alma e peço silêncio. Tapo-lhes a boca, mesmo que tentem morder-me a carne e me exijam serem ouvidas. Não é tempo. Não é o momento. Quando, finalmente, as liberto, soltam-se com fúria incontrolável e é aí, só aí, que elas falam de mim, de dentro de mim, sem que possa evitar o que dizem.

4 comentários:

Pedro Antunes disse...

cada onde que bate na rocha e que é devolvida ao mar é alimento para a nova onda que se forma... as tuas palavras não caem no vazio... um dia serão fortes para superar todos os rochedos...
ou então os rochedos que te aprisionam são demadiado plasticos e irreais e não merecem ser derrotados...

talvez precises de novos rochedos com locas acolhedoras onde possas deixar descansar pedacinhos do teu mar e onde as crianças possam brincar seguras....

talvez precises de novos horizontes... de perceber que a magia não esta na fonte das palavras... mas em ti que es mar...

desculpa a utopia... fui a praia de manha... o horiznote estava lindo...

sonha

Pedro Branco disse...

Vim apenas para te agradecer a força. Estou a tentar acordar.

Tudo de mim. Ou quase. disse...

Pedro Branco:
há coisas que nunca devem agradece-se. A amizade e tudo aquilo que faz parte da mesma, é uma delas. Terás todo o tempo que achares necessário para acordares e chorares a tua perda. Chora,, chora bastante. Chora até te doeram os olhos e sentires a alma menos pesada. Mesmo longe, o meu ombro e o meu colo estão aqui.

Com carinho
BB (aquilo que costumas chamar-me :) )

Fragmentos Repartidos disse...

Olá!
Antes de mais quero agradecer-te as visitas ao meu blog e os comentários lá deixados.
Quero também aproveitar para te dar os parabéns pelos teus textos (mesmo só dando uma breve vista de olhos ainda).

Seguindo a metáfora deste teu texto poderia dizer que navego num mar relativamente tranquilo onde as ondas são poucas, no entanto há dias e há momentos e que se formam remoinhos e ondas que surgem quase do nada e conseguem embater violentamente na encosta caso essa exista, pois às vezes o único sitio onde elas encontram um travão é cá dentro! Na alma e no silêncio!

Um Abraço
Ruben