segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Loucuras...

Não costumo ter medo de nada... Na verdade, aquilo de que realmente tenho medo é de mim mesma. Daquilo que não consigo controlar. Ou não quero controlar. Daquilo que não controlo mas que, mesmo assim, me atrai. A sensação de sentir o chão fugir-me debaixo dos pés é angustiante e, ao mesmo tempo, atraente. A vontade de entregar-me a um rodopio estonteante no qual desmaio em mim.. É a certeza absoluta de nada conseguir fazer para contrariar vontades que se escrevem no peito e que vou lendo num silêncio inconsciente. São as cores com que esboço pinturas enquanto sonho de olhos abertos. É a loucura de ser tão lúcida, que chego a ter consciência absoluta da minha loucura. É um querer não querer e, mesmo assim, continuar a querer aquilo que se quer.

É o, tantas vezes, não saber...

que se quer.

4 comentários:

Pedro Antunes disse...

linda
desculpa tratar-te assim mas é assim que te vejo pela tua escrita...
tambem eu vejo a noite como companheira... tambem eu vivo mais a noite do que o dia....
mesmo quando me sinto vazio e só há algo em mim que se liberta na noite como se a solidão não fosse tão visivel... como se não fosse tão notoria a busca de aconchego....
quanto a este texto e porque é dele que devemos falar... queria apenas dizer-te que a realidade e a loucura são duas coisas que sempre caminharam lado a lado... duas irmas gémeas quase fundidas... duas faces distintas da mesma moeda....
os antigos chamavam sabios aos loucos porque conseguiam ver alem da realidade... e a realidade so existe porque existe uma loucura que lhe da balizas ao transcender os seus limites....
copernico foi julgado louco por pensar que a terra era redonda... galileu também....
no fundo para se ousar sonhar fora das coisas comezinhas do dia a dia é preciso ser-se louco....
para se AMAR sem ser com amorzinhos triviais também....

no fundo tudo é relativo porque a linha que separa a loucura sá e a lucidez insana é muito ténue .

fizeste-me lembrar um exerto da peça caligula de Albert Camus... deixo-to sem querer invadir o teu espaço com a dimensão deste comment..
"
CALÍGULA:

- Bom. Enfim! Mas não estou louco e até nunca fui tão razoável. Simplesmente, senti em mim um súbito desejo de impossível.

(pausa)

As coisas, tal como estão, não me parecem satisfatórias.

HÉLICON:

- É uma opinião bastante difundida.

CALÍGULA:

- É verdade, mas antes não o sabia. E agora sei.

(Sempre natural.)

O mundo, assim como está, não é suportável. Por conseguinte, preciso da lua ou da felicidade, ou da imortalidade, de qualquer coisa que seja loucura, talvez, mas que não pertença a este mundo.

HÉLICON:

- É um raciocínio lógico, mas geralmente não se pode levar até o fim.

CALÍGULA:

(erguendo-se, mas sempre com simplicidade)

- Isso é que tu não sabes. Não se consegue nada precisamente porque nada se leva até o fim. Mas talvez baste levar a lógica ao extremo limite.

(encarando Hélicon)

Bem sei o que estás pensando. Tanta história pela morte duma mulher! Não, não se trata disso. Parece-me recordar, é certo, que há dias morreu uma mulher que eu amava. Mas que é o amor? Pouca coisa. Essa morte não é nada, juro; é apenas o indício duma verdade que me torna a lua necessária. É uma verdade clarissima, ate simplória, mas difícil de descobrir e dura de suportar.

HÉLICON:

- E que verdade é essa, Caio?

CALÍGULA:

(voltado para o lado e em tom neutro)

- Os homens morrem e não são felizes.

Albert Camus, Calígula

... quanto aos medos sou como tu... se bem que acho que o meu medo de falhar não tem a ver comigo mas com falhar aos outros... e isso para mim é dificil de suportar.

beijos de lua

:-)

Patrícia disse...

Muito verdade. E aquilo que te acontece a ti, acontece a todos. Alguns não o admitem, mas todos queremos o que temos e o que não temos. E isso é energia. Positiva. É viver no limite, tendo consciência que não o podemos atravessar, sendo que o fazemos muita vez.

Pedro Antunes disse...

obrigado eu por me teres feito rever as memorias das minhas leituras..

adorei reler caligula para reencontrar o trecho que coloquei aqui...

adorei o impulso magico das tuas palavras, o desconforto confortavel da forma como sonhas e vives os sonhos..

beijo

virei ler-te sempre

bem hajas tu...

Pedro Antunes disse...

adorei a citação de pessoa que deixaste no meu espaço.

beijo

estou a adorar vir ca

pela loucura de sonhar sempre a maravilha dos sorrisos