domingo, 23 de agosto de 2009

Deixa-me morrer ou viver. Em ti.

Às vezes penso... és um assassino de amores. És um ladrão de almas. Como se o facto de ficares com o coração dos outros a bater-te nas mãos, suplicando por vida, não te chegasse. Como se a certeza de me saberes eternamente tua, cerzida a ti, não fosse suficiente.
Às vezes penso... mata-me de uma vez, deixa-me morrer em ti, ou então, dá-me vida. Deixa-me viver para sempre no prolongamento da tua eternidade desordenada e ansiosa.
Queima-me a carne a ferro quente, rasga-me a pele e entranha-te. Não fujas. Queima-me. Queima-me...
O cigarro arde-me nos lábios e eu só quero que a tua boca apague o meu mar. Em chamas.

4 comentários:

intimidades disse...

o amor faz-nos sentir vivas

Jokas

Paula

Pedro Antunes disse...

falar de morte é dar luz a vida...
vive novos sonhos mereces

deixo-te um poema chamado quando eu morrer que escrevi há uns anos....

beijo

Quando ...
Quando eu morrer
leva-me no teu regaço
e embala a minha alma
no teu peitoquando eu morrer
deixa-me ir assim vão e escasso
que na ânsia de viver...
eu fui fracasso
e na gloria de sonhar-te
perdi-me por recordar-te
e nunca pernoitei
junto ao teu leito
deixa-me partir
não te peço que por mim chores
nem que grites à lua tudo o que não foste
tudo o que não me deste
acredita que és tudo,foste tudo
e não lamentes se ser tudo não soubeste
deixa-me ir
não quero que vás comigo
deixo-te a rosa encarnada
que guardei em mim
e não te soube entregar
deixo-te o brilho da vida
reencarnado nos sonhos
que plantei na flor
das minhas mágoas
nas pétalas que colori
com a lembrança dos sorrisos
que provocavas
deixo-me ...em ti
em todas as lembranças
dos momentos que vivemos
e na memória dos mundos
só teus
em que habitavas
deixo-me mesmo
nos despojos
só meus ...da vida que inspiravas
mas nunca te despeças de mim
nem nunca chores
és demasiado doce para chorar
ese eu nunca quis ver padecer alguém tão belo
tão sonho tão profundamente...luminoso e vivo
vais ver que vou estar sempre aqui
enquanto houverem alvoradas
enquanto a primeira estrela do céu
persistir em assomar à tua janela
como se te quisesse saudar.
Mas nunca me lamentes
apenas deixa que no verão
as gotas de orvalho
salpiquem a tua cara
e sente-as como se fosse eu
como se fossem os meus lábios
permite que a brisa do mar
invada suavemente os teus cabelos
e os lance no reboliço como se pairassem
por força das minhas mãos
vá ... deixa-te bailar suavemente na ode da vida
e vive-a de uma forma imensa e pura
como quem sente,
como quem ama
como quem sofre.
Mas não te impeças de sonhar
e vive cada nova gloria numa entrega
cada dança, como a dança da menina ave que sei
deixa-te pairar sobre os céus...
como se anjo fosses
sem temeres o frio ou o anoitecer
pois irei abraçar-te
nos teus sonhos
e velarei por ti para sempre...
enquanto dormes

Pedro Branco disse...

Não sei que te diga... nem do primor deste texto, nem do seu assunto. Deixo então um beijo, apenas. E obrigado pela força.

Observador disse...

Um texto muito forte.
Pleno de sentimentos. De vontades.
Mas também de dúvidas.

Um beijo